Porta-vozes do desenvolvimento
Por: Redação - Revista MIES - 09/08/2011

Presentes e atuantes nas mudanças por que passa o País, as empresas vivenciam de perto as oportunidades e desafios da economia. A MIES entrevistou diversas companhias ligadas ao segmento industrial, aniversariantes de 10, 15, 25, 30 e até 100 anos, a fim de conhecer sua trajetória e trazer dicas importantes

Na primeira década
A diferenciação leva ao reconhecimento. Talvez este seja um lema que pode ser atribuído aos desafios e conquistas da ACR, companhia brasileira fundada em 2001, cuja trajetória é um dos exemplos de que apostar na inovação conduz ao sucesso. "Quando iniciamos as atividades um cliente do setor siderúrgico nos propôs um desafio: desenvolver um equipamento que ainda não existia no mercado nacional. Depois de quase um ano de trabalho, e com a ajuda de Deus, os resultados foram positivos. A partir daí, ficamos conhecidos e demos os primeiros passos como empresa", conta o diretor técnico, Abraão Pires.

A ACR que tem hoje uma carteira de aproximadamente 800 clientes, entre os quais estão Villares, Harsco, Gerdau, CSN, ArcelorMittal, Volkswagen, Toyota, Mercedes-Benz, Votorantim, BrasilFoods e Vale, é constituída por quatro principais divisões: radiocontrole, sistemas de pesagem, sinalização; e sistemas de pesagem dinâmica.

Pires lembra que 2010 foi bastante produtivo e que este ano segue na mesma linha. "Apesar de toda a negatividade e insegurança que ainda rondava o mercado, no ano passado conseguimos aumentar o faturamento, investir mais em tecnologia e apresentar novidades. Em 2011 estamos mantendo o mesmo patamar. Os investimentos em marketing aumentaram e neste ano iremos participar de oito feiras de negócios".

Ao fazer um histórico dos obstáculos superados nesta primeira década, o diretor enfatiza a participação dos colaboradores. "Certamente, a cooperação e o trabalho em equipe é um dos nossos diferenciais. Todos têm papel imprescindível e constantemente investimos em cursos e demais ferramentas de capacitação?.

Como dicas de sucesso, o executivo fundamenta que o empresário deve buscar conhecimento técnico e comercial. "Muitos empreendedores acreditam que com bom capital e boa vontade é possível abrir um negócio. Mas a realidade não é bem assim. Depois de ter metas bem definidas e atingíveis, é importante ter os pés no chão, muita fé em Deus e ética. Por fim, investir de forma agressiva em vendas e marketing. Não adianta ter um bom produto ou serviço se o mercado não os conhece".

A preocupação com o meio ambiente contribuiu para o nascimento da Mizumo, um projeto empreendedor do Grupo Jacto, e que também completa 10 anos. Com o objetivo de criar sistemas compactos de tratamento de efluentes, de alta resistência a ambientes corrosivos, os profissionais da Jacto partiram pelo mundo em busca da tecnologia mais avançada na área. Uma empresa japonesa provou ter os padrões de qualidade e eficácia. A partir de um contrato de transferência de tecnologia, o sistema foi nacionalizado. No ano seguinte o Grupo lançou a Mizumo. "Na última década, no Brasil e no mundo, fatores como políticas de saneamento mais definidas, maior consciência do poder privado e público e cobranças por parte da sociedade sobre a preservação ambiental foram relevantes para o nosso crescimento. Para se ter uma ideia, proporcionalmente, o número de ETEs instaladas entre o início das operações até 2009, cresceu 450%", detalha Giovani Toledo, gestor da Unidade de Negócios da Mizumo.

Entre as linhas de soluções está Business, indicada para pequenas indústrias; a Tower primeiro sistema com formato vertical desenvolvido no Brasil; e a série Customer, de grande capacidade. A Mizumo complementa as soluções com equipamentos periféricos e auto-operáveis, entre eles: estação elevatória de esgoto (EEE), gradeamentos mecanizados, sistemas de difusão de ar, geradores de energia, filtros, queimadores de biogás, sistemas de controle e automação, e desinfecção por cloro e ultravioleta. "Acreditamos na melhoria contínua e no trabalho sério como forma de alcançar a prosperidade e conquistarmos respeito e credibilidade. Já trabalhamos para ampliar nossa força de vendas e temos planos de exportação, principalmente em países da América Latina", reforça o gestor.

Entre os clientes de nome está a Lwarcel Celulos. A companhia buscou os sistemas compactos da Mizumo para separar o tratamento de esgoto sanitário do tratamento biológico industrial. "Os produtos que fornecemos não necessitam de operadores, basta seguir uma rotina pré-estabelecida, de acordo com cada sistema. Ser auto-operável era uma exigência feita pela Lwarcel?, detalha Toledo, lembrando que o retorno do investimento ocorreu em 20 meses.

Na área de recursos humanos, a Mizuno aposta na integração de todos os colaboradores. "Atualmente, temos programas participativos com o objetivo de contribuir com o cumprimento das metas e, ao mesmo tempo, manter o canal de comunicação estável em todas as áreas. Na fábrica, um sino é tocado sempre que uma venda é concretizada e o objetivo desta ação é reforçar o conceito ‘Meu Trabalho Conquistou Mais um Cliente’. Com isso, incluímos todos no processo de satisfação", finaliza.

15 anos
A tecnologia da informação e em especial os sistemas computacionais são outras áreas em crescimento no País e cujo reflexo tem levado ao crescimento de negócios. "O ano de 2010 foi excelente para a PTC. Atingimos todos os objetivos de faturamento com as vendas de software e contratos de manutenção. No conjunto, houve um crescimento aproximado de 30%. Em 2011 seguimos subindo a taxas aceleradas e esperamos isto pelo menos cinco anos", destaca Helio Samora, diretor da PTC América Latina. A companhia foi fundada em maio de 1985 nos EUA e há 15 anos no Brasil fornece soluções em software para área industrial. O depoimento ratifica o bom momento do mercado para fornecedores da área.

Atualmente são mais de 1,5 mil clientes atendidos no País, somando cerca de 15 mil licenças de softwares instalados. No mundo todo, a empresa possui mais de 55 mil, entre os quais incluem-se multinacionais como Volkswagen, Caterpillar, Motorola, Whirlpool, John Deere, Randon, Jacto, Lorenzetti, Tramontina, Semeato e Stara.

São duas as principais linhas de produtos. A primeira é representada pelo CAD Mecânico (Creo Parametric, nova versão do Pro/Engineer), uma solução 3D que permite, na mesma ferramenta, o modelamento paramétrico e direto, fácil de usar e escalável. Já na linha PLM, de soluções para gerenciamento do ciclo de vida do produto, destaque para o Windchill, 100% baseado em tecnologia web.

Samora lembra-se dos momentos de dificuldades. "Um grande desafio foi a desvalorização do real entre junho e dezembro de 2002. Para enfrentarmos a situação utilizamos a estratégia do congelamento do valor do câmbio que nos permitiu navegar no momento de incertezas e de riscos".

Como maior dica a outras empresas, o diretor lembra que é preciso olhar sempre à frente. "Planeje financeiramente sua companhia para os próximos anos, que tendem a ser excelentes. Porém, não deixe de ter um plano para dificuldades que surgirão, ou seja, esteja preparado para as oscilações do mercado".

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