Durante a Hannover Messe 2011, maior feira de tecnologias para o segmento industrial realizada no mês passado, na Alemanha, em cada um dos quase 30 pavilhões não faltaram projetos e equipamentos inovadores, demonstrando intensos investimentos daquele país em pesquisa, bem como uma notória interligação entre a universidade e a indústria. Presente ao evento, o ministro brasileiro da Ciência e Tecnologia, Aloísio Mercadante, mostrou admiração por esta integração entre a pesquisa científica e o desenvolvimento fabril alemão, indicando-a como modelo a ser seguido no Brasil. Um dos pavilhões se destacou por justamente ser inteiramente dedicado a inovações e projetos de institutos e universidades com possibilidade de futuras aplicações industriais. O local foi, por exemplo, ponto de encontro entre especialistas brasileiros e alemães do ramo da nanotecnologia, tida como uma das áreas de maior crescimento nos últimos anos.
Ph.D. em Nuclear Engineering pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), com pós-doutorado na Universidade de Minnesota, e especializado nas áreas de atuação de materiais semicondutores, materiais nanoestruturados e nanodispositivos, o professor João Francisco Justo Filho, da Escola Politécnica-USP, ressalta que, de uma forma geral, a feira mostrou uma clara tendência na incorporação sistemática de inovações, como é o caso da nanotecnologia. ?Nesta área específica, há dois caminhos: quando a incorporação da nanotecnologia somente melhora as especificações dos produtos (por exemplo, a introdução de nanotubos de carbono pode aumentar a resistência mecânica de certas ligas metálicas) ou quando o princípio de funcionamento das soluções está baseado em fenômenos nanoscópicos (como nanodispositivos eletrônicos)?.
Justo Filho lembra que na Escola Politécnica da USP os trabalhos do seu grupo estão focados na área de nanociências e nanotecnologia. ?Nosso objetivo é entender os fenômenos físicos a nível nanoscópico para poder desenvolver materiais com melhores propriedades, para serem usados em diversas aplicações tecnológicas (que abrangem desde nanodispositivos eletrônicos até ferramentas de precisão)?, destaca.
Para ele uma das principais mensagens da feira de Hannover é o sucesso da Alemanha na articulação entre os setores industrial e universitário. Entretanto, no que se refere ao cenário brasileiro, apesar de o País ter destaque por sua produção científica em relação ao número de artigos publicados em revistas internacionais, ficamos muito atrás de outras nações quando se considera número de patentes requeridas ou produção tecnológica. ?O País deve superar esse abismo entre a academia e a indústria se quiser alcançar os níveis de desenvolvimento de países como a Alemanha?, conclui.
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